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2ª Conferência Internacional Mobilidade Urbana

 

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// CIDADES DE EXCELENCIA 2008-2009 - PRÉMIOS ATRIBUÍDOS

  // DISCURSO DE ENCERRAMENTO DA CERIMÓNIA DE ENTREGA DOS "PRÉMIOS DE EXCELÊNCIA 08/09" PELO EXMO. SENHOR SECRETÁRIO DE ESTADO DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E DAS CIDADES, JOÃO FERRÃO
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// As cidades para além da crise

O imperativo de continuar com a Regeneração Urbana e de repensar os procedimentos do quotidiano na cidade
Instalada para ficar, mais tempo do que se previa, ou pelo menos mais do que o anunciado, a crise tem vindo a provocar múltiplos feitos nos urbanitas que parecem um pouco perdidos quanto ao que terão de refazer na sua vida quotidiana.

Os efeitos reais da crise não parecem ainda visíveis na medida em que a redução do número de veículos apenas com o condutor no seu interior ainda se mantém, os restaurantes, nas noites de sexta e sábado, ainda apresentam um número substancial de clientes e os citie breaks, com ou sem Low Cost, preenchem os fins de semana urbanos.

Então onde se encontram os resultados visíveis da crise? Locais houve onde os autarcas mandaram desligar as luzes do chafariz, regar as plantas dos jardins apenas duas vezes por semana ou reduzir o número, senão global, pelo menos em 'cifrões', de festas e romarias com que, no Verão, se alegram e cobram aos emigrantes.

Mercearias sociais, cantina das escolas abertas em período de férias ou ao fim de semana, entre outras, são já medidas 'hardware', com fins políticos múltiplos como se pode reparar por pertencerem, no governo local, a partidos outros que não o do governo nacional.

Assim, por um lado há quem possua uma visão conservadora do regresso a uma vida ainda presente nas memórias de um passado mais ou menos longínquo, por outro, a visão criativa de quem sabe que tem de reinventar o presente.

Na perspectiva conservadora, com receio do futuro e apenas espectadora do presente, verifica-se a tentativa de poupança por vezes acima do que se pedia ou o que a realidade parece exigir face à constante pressão dos media que apelam à sua visão catastrofista para aumentarem a tiragem. Apelam ao regresso de uma agricultura para onde querem mandar os outros e até ao mar que conhecem apenas de quando vão a banhos.
A perspectiva, supostamente, mais criativa junta-se em torno de blogues, facebook, twitters e até aplicações partilhadas de tablets como o i-Pad e discute, debate e apresenta intenções de soluções para outros as adoptarem, deixando um lastro intelectual que tem tanto de boa leitura como e inconsequência prática.

E então o que fazer? Como fazer? O Povo, que voltou a mais ordenar com as manifestações dos jovens de todas as idades e, na semana seguinte, dos sindicalistas de todas as profissões, dizia, antes destes eventos, que no meio está a virtude. No fundo, numa interpretação livre, creio que esta expressão não é nada mais, nada menos, do que o termo 'pensar global, agir local' ou seja, 'pensar como resolver a crise que é de todos e agir individual e diariamente com aumento de produtividade e exigência com nós próprios'.

Mas como se tem comportado a cidade, como construção social que é? Curiosamente e paradoxalmente, na mesma! Direi que o número de veículos a circular na cidade tenderá a diminuir mais pelos problema geo-estratégicos do Norte de África do que pelo sub-prime americano ou pelos deficits governamentais.
Direi também que as viagens da TAP para o Brasil poderão ser afectadas mais pela necessidade de reduzir o trabalho em terra do que por uma menor possibilidade e, sobretudo, vontade de tirar os pés do chão. Aliás, o ano de todas as crises até ao momento, 2010, foi o melhor ano de turismo de sempre.

Assim devem as cidades dar atenção à Regeneração Urbana em curso, o que aliás todos os quadrantes políticos estão de acordo. Planear, com mais detalhe as funções diárias que a cidade presta e o modo como a utilizamos, pois creio haver procedimentos físicos urbanos a mais e uma atenção redobrada e continua monitorização dos sistemas de emprego local, com uma concertação muito activa com empreendedores, também á micro escala, e com a permanente qualificação do emprego e dos empregados.

Isto só é possível à escala local. Com o final, anunciado, dos mandatos de um terço dos presidentes das autarquias, os novos autarcas não tem, necessariamente, de representar uma nova geração de políticos locais, tem sim, de possuir abordagens mais exigentes a um território que tem idiossincrasias próprias e diferenciadoras o que fará criar uma classe política mais heterogénea e idiossincrática o que, como se percebe, é estritamente contrária ao cinzentismo da crise...

Pedro Ribeiro da Silva
Director do Jornal Planeamento e Cidades



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